As lesões de menisco estão entre as causas mais comuns de dor e limitação do joelho, afetando tanto atletas quanto pessoas sedentárias. Esses pequenos discos de cartilagem em formato de “C” têm um papel essencial na absorção de impacto, na estabilidade e na lubrificação da articulação. Quando rompidos, o equilíbrio biomecânico do joelho é comprometido e sintomas como dor, estalos e bloqueio passam a fazer parte da rotina do paciente.
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Apesar de serem frequentes, nem toda lesão meniscal exige intervenção cirúrgica. Nos últimos anos, a abordagem terapêutica se tornou mais conservadora, priorizando a preservação do tecido e o fortalecimento muscular antes de recorrer à artroscopia. É importante saber quando operar e quando tratar sem cirurgia, por meio de uma avaliação detalhada que leva em consideração o tipo da lesão, a localização, a idade e o perfil do paciente.
Função e importância do menisco no joelho
Como dissemos, o menisco é uma estrutura fibrocartilaginosa localizada entre o fêmur e a tíbia, responsável pela distribuição adequada da carga sobre a articulação, além de estabilizar o joelho e reduzir o atrito entre os ossos. Cada joelho possui dois meniscos: menisco medial, mais fixo e frequentemente lesionado, e menisco lateral, mais móvel e resistente.
As causas das lesões meniscais variam conforme o perfil do paciente. No caso de jovens e atletas, é comum acontecer por torção súbita no joelho, como em mudanças bruscas de direção no futebol ou no basquete. Já nos adultos acima de 40 anos, o problema é frequentemente degenerativo, resultando do envelhecimento natural e do enfraquecimento dos tecidos.
Por desempenhar um papel tão importante na estabilidade e na lubrificação da articulação, proteger e preservar o menisco é sempre o objetivo principal do tratamento. Cada vez mais, ortopedistas priorizam técnicas que conservam ou reparam a estrutura, em vez de apenas removê-la parcialmente, como se fazia antigamente.
Quando o tratamento conservador é indicado
Nem toda lesão de menisco precisa ser operada e, em muitos casos, o tratamento conservador oferece resultados tão bons quanto a cirurgia. O foco dessa abordagem é controlar a dor, restaurar a força muscular e recuperar o movimento articular, por meio de fisioterapia e mudanças no estilo de vida.
O tratamento conservador é indicado principalmente em lesões pequenas, estáveis e não bloqueantes, especialmente nas porções periféricas do menisco, que têm melhor irrigação sanguínea e maior potencial de cicatrização. Pacientes com lesões degenerativas, decorrentes do envelhecimento e do desgaste, também costumam responder bem às terapias conservadoras.
A fisioterapia desempenha papel indispensável nesse processo. O fortalecimento do quadríceps, glúteos e músculos estabilizadores reduz a sobrecarga sobre o joelho e melhora a absorção do impacto. O treino proprioceptivo, voltado ao equilíbrio e à coordenação, também ajuda na prevenção de novas torções.
O uso de anti-inflamatórios e infiltrações com ácido hialurônico e plaquetas pode ser indicado para aliviar a dor e reduzir o processo inflamatório, permitindo que o paciente consiga se manter ativo enquanto o tecido se recupera.
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Quando a cirurgia é necessária
A cirurgia se torna necessária quando a lesão provoca bloqueio articular, sensação de travamento, dor persistente ou instabilidade que não melhora com o tratamento conservador. Lesões maiores, complexas ou localizadas na região central do menisco dificilmente cicatrizam sozinhas e tendem a requerer intervenção cirúrgica.
Nesses casos, o procedimento mais utilizado é a artroscopia do joelho, uma técnica minimamente invasiva realizada por meio de pequenas incisões. Com a ajuda de uma microcâmera, o cirurgião consegue visualizar a articulação e decide entre costurar o menisco ou ressecar parcialmente a área lesada. Sempre que possível, a sutura é escolhida, pois preserva a função biomecânica e reduz o risco de artrose futura.
A recuperação após a artroscopia é geralmente rápida, com retorno gradual às atividades em algumas semanas. O protocolo de reabilitação inclui fisioterapia para restaurar a amplitude de movimento, fortalecimento muscular e treino de estabilidade.
Recuperação e reabilitação após a lesão
Independentemente do tipo de tratamento, a reabilitação é um fator determinante para o sucesso a longo prazo. O foco deve estar em restaurar a mobilidade, a força muscular e a estabilidade do joelho, reduzindo o risco de recidivas e degeneração.
Nas primeiras semanas, a prioridade do tratamento é controlar a dor e o inchaço, com o uso de gelo, compressão e elevação. Exercícios passivos e isométricos ajudam a manter o tônus muscular sem sobrecarregar a articulação. Conforme a dor diminui, pode-se iniciar um trabalho ativo, com fortalecimento progressivo dos músculos da coxa e do quadril.
A partir da sexta semana de recuperação, exercícios de equilíbrio e propriocepção passam a fazer parte do programa, melhorando o controle motor e a confiança no apoio. Pacientes que passaram por sutura meniscal precisam respeitar restrições maiores de carga nas fases iniciais, para que o tecido cicatrize completamente.
O retorno ao esporte ou às atividades intensas deve ser gradual e autorizado pelo ortopedista. O tempo médio varia de dois a seis meses, dependendo do tratamento e do tipo de lesão.
Atualmente, as técnicas de reparo meniscal evoluíram significativamente. O uso de suturas com dispositivos modernos e de terapias biológicas associadas, como plasma rico em plaquetas, tem aumentado as taxas de cicatrização e melhorado os resultados a longo prazo.
Em todo caso, o tratamento de lesões de menisco deve ser personalizado e baseado em evidências científicas. A prioridade deve ser sempre a preservação da estrutura e o retorno funcional seguro, respeitando o equilíbrio entre a intervenção cirúrgica e a recuperação do tecido.
Está com dor ou suspeita de lesão no joelho? Agende uma avaliação para garantir uma análise detalhada e o início do seu tratamento o quanto antes.
