Como a pisada interfere na progressão do joelho valgo e varo?

A forma como pisamos apresenta um impacto direto sobre a cadeia músculo-esquelética dos membros inferiores. Alterações na pisada, como supinação ou pronação excessiva, podem contribuir para a sobrecarga das articulações, como joelhos, tornozelos e quadris. Quando essas alterações se mantêm por longos períodos, podem favorecer o desenvolvimento ou a progressão de desvios angulares do joelho, como o valgo e o varo.

O joelho valgo consiste na aproximação dos joelhos, formando um “X”, enquanto o joelho varo se refere ao afastamento dessas articulações. Ambos os desvios podem surgir por fatores congênitos, musculares ou posturais. Contudo, a biomecânica da pisada é um fator muitas vezes negligenciado, que desempenha um papel relevante na evolução dessas deformidades.

Entendendo o joelho valgo e varo: causas e características

O joelho valgo é caracterizado pela aproximação dos joelhos, como mencionado anteriormente, resultando no afastamento dos quadris e tornozelos quando a pessoa permanece de pé. Essa condição é bastante comum em crianças, mas tende a se corrigir conforme o indivíduo cresce. Em adultos, o joelho valgo pode ser resultado de desequilíbrios musculares, obesidade, frouxidão ligamentar ou padrões de movimento inadequados.

Já o joelho varo apresenta uma configuração oposta: os joelhos se mantêm afastados mesmo quando os pés estão juntos, formando o conhecido aspecto arqueado. Essa condição afeta mais comumente os homens e pode estar associada à prática esportiva de alto impacto, a doenças que afetam o crescimento ósseo ou ao histórico de fraturas.

Ambas as condições alteram o alinhamento do eixo do membro inferior e impactam a distribuição de carga na articulação do joelho. A longo prazo, essas alterações favorecem o desenvolvimento de artrose precoce, perda funcional e dor crônica.

Como a pisada influencia o alinhamento do joelho

A pisada é a forma como nosso pé toca o solo durante a caminhada ou corrida. Ela pode ser classificada em três tipos: neutra, pronada (quando o pé gira para dentro) e supinada (quando o pé gira para fora). Cada tipo de pisada provoca compensações musculares e articulares que podem afetar a postura e a biomecânica do joelho.

A pisada pronada, por exemplo, aumenta a rotação interna da tíbia e favorece o desvio do joelho para dentro, agravando ou desencadeando um quadro de joelho valgo. Já a supinação excessiva eleva a tensão sobre a borda lateral do joelho, contribuindo para o desenvolvimento ou intensificação do joelho varo.

O uso de calçados inadequados, que não oferecem suporte adequado à pisada ou não corrigem desvios, é outro fator relevante. Com o passar do tempo, isso contribui para a perpetuação de padrões disfuncionais de marcha, que sobrecarregam os joelhos e intensificam o desalinhamento.

Além disso, a pisada altera a forma como os músculos da perna e da coxa são ativados. Essa cadeia de compensações musculares pode interferir na estabilidade e na progressão dos desvios angulares do joelho.

Avaliação biomecânica e diagnóstico personalizado

A avaliação da pisada é uma ferramenta fundamental para identificar padrões que favorecem o joelho valgo ou varo. Atualmente, exames que avaliam a distribuição de pressão plantar durante a caminhada, como a baropodometria, permitem identificar sobrecargas e assimetrias com precisão.

Além da baropodometria, a avaliação cinemática da marcha, por meio de filmagens em câmera lenta ou plataformas de força, também oferece informações valiosas sobre a relação entre pisada e movimentação do joelho. Esses exames são indispensáveis para que os profissionais de saúde desenvolvam estratégias terapêuticas personalizadas.

É importante lembrar que a avaliação não deve se restringir apenas aos pés. A análise global do paciente — incluindo padrão muscular, coluna e quadris — ajuda a compreender a origem do desvio e se a pisada é causa, consequência ou fator de manutenção da alteração no joelho.

Combinada com exames clínicos e biomecânicos, a avaliação da pisada ajuda a entender o papel do pé na progressão do joelho valgo ou varo, permitindo intervenções adequadas e direcionadas.

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Estratégias de prevenção e tratamento integradas

Uma vez identificado o tipo de pisada e seu impacto sobre o joelho, o tratamento pode ser direcionado com precisão. Palmilhas ortopédicas personalizadas podem ajudar a corrigir o apoio plantar, redistribuir cargas e reduzir o estresse articular.

O fortalecimento muscular direcionado também é essencial, especialmente dos músculos do quadril, glúteos, adutores e estabilizadores do joelho. Um trabalho funcional bem estruturado contribui para restaurar o controle postural e o alinhamento dos membros inferiores.

A fisioterapia, por sua vez, desempenha papel fundamental, especialmente nos casos em que o paciente já apresenta dor, limitação de movimento ou desequilíbrios significativos. Técnicas como reeducação postural, treino de marcha, liberação miofascial e propriocepção ajudam a reequilibrar o sistema músculo-articular.

Nos casos mais graves, em que há degeneração avançada da articulação ou deformidade óssea acentuada, pode ser necessário considerar abordagens cirúrgicas, como a osteotomia corretiva.

Quando buscar ajuda profissional?

Nem sempre a pessoa que apresenta joelho valgo ou varo percebe de imediato que há algo errado. Muitas vezes, os sintomas aparecem como dores no tornozelo, quadril ou lombar, antes mesmo do joelho se manifestar. Por isso, dores persistentes durante a marcha, sensação de instabilidade ou desgaste anormal nos calçados devem ser sinais de alerta.

Crianças que apresentam joelho valgo ou varo após os sete anos também devem ser avaliadas por um fisioterapeuta ou ortopedista. Nesses casos, a correção precoce pode evitar complicações no futuro.

Atletas e praticantes de corrida também devem estar atentos. A sobrecarga repetitiva sobre articulações desalinhadas pode acelerar o desgaste e comprometer o desempenho esportivo.

A relação entre pisada e joelho valgo ou varo vai muito além da estética. Ela está diretamente relacionada à saúde das articulações, ao equilíbrio corporal e à prevenção de lesões. Se você notou alterações na sua marcha, dores frequentes ou desalinhamentos no joelho, é necessário buscar avaliação.

Agende sua consulta e inicie um cuidado preventivo para evitar complicações futuras e garantir maior liberdade de movimento e saúde articular.