Joelho travando ao andar: pode ser menisco?

joelho travando

Sentir o joelho travando ao andar é um sintoma que costuma gerar bastante insegurança, principalmente porque interfere diretamente na mobilidade e na confiança ao caminhar. A sensação de bloqueio articular, como se algo impedisse o movimento normal da perna, pode surgir de forma súbita ou progressiva e, em muitos casos, passa a limitar atividades simples do dia a dia, como subir escadas, levantar da cadeira ou caminhar por longos períodos. Na prática, o joelho travando não deve ser encarado como algo normal, especialmente quando se repete. Esse sintoma indica que há alguma alteração mecânica ou inflamatória dentro da articulação, comprometendo o deslizamento adequado das estruturas. Entre as causas mais comuns, a lesão de menisco costuma ser uma das primeiras hipóteses levantadas, mas ela não é a única possibilidade e nem sempre está presente. O que significa sentir o joelho travando O joelho é uma articulação complexa, responsável por sustentar o peso do corpo e permitir movimentos de flexão, extensão e rotação de forma coordenada. Para que isso aconteça sem dor ou bloqueios, ossos, cartilagens, meniscos, ligamentos e músculos precisam funcionar de maneira integrada e equilibrada. Quando ocorre alguma alteração nesse sistema, o movimento deixa de ser fluido. O joelho travando pode se manifestar como dificuldade para estender completamente a perna, sensação de que algo “engasga” dentro da articulação ou até episódios em que o joelho parece prender por alguns segundos antes de destravar. Em alguns casos, o paciente precisa movimentar a perna ou mudar a posição do corpo para conseguir voltar a andar normalmente. Esse tipo de sintoma geralmente está associado a um componente mecânico, ou seja, algo dentro da articulação está interferindo fisicamente no movimento. Por isso, quanto mais frequente for o travamento, maior é a necessidade de investigação adequada. Joelho travando e menisco: qual é a relação? Lesão de menisco como causa frequente Entre as causas mais comuns de joelho travando, a lesão de menisco ocupa posição de destaque. Os meniscos são estruturas de fibrocartilagem localizadas entre o fêmur e a tíbia, responsáveis por absorver impacto, distribuir cargas e contribuir para a estabilidade do joelho durante o movimento. Quando o menisco sofre uma lesão, seja por trauma, torção ou desgaste ao longo do tempo, parte dessa estrutura pode se deslocar ou perder sua conformação normal. Em determinadas situações, esse fragmento interfere diretamente no movimento da articulação, causando o bloqueio mecânico característico do joelho travando. Além do travamento, é comum que o paciente apresente dor localizada, inchaço após esforço, sensação de estalos e desconforto ao agachar ou girar o corpo. Em lesões degenerativas, esses sintomas podem surgir de forma gradual, sem um evento traumático claro, o que muitas vezes faz com que o problema seja subestimado no início. Nem todo joelho travando é lesão de menisco Apesar de frequente, a lesão de menisco não é a única explicação possível para o joelho travando. Alterações na cartilagem articular, como a condropatia ou a artrose em estágios mais avançados, podem criar irregularidades na superfície do joelho, dificultando o movimento normal e gerando episódios de bloqueio. Outra causa possível são os corpos livres intra-articulares, pequenos fragmentos de cartilagem ou osso que se desprendem e ficam soltos dentro da articulação. Esses fragmentos podem se deslocar durante o movimento e provocar travamentos repentinos, muitas vezes acompanhados de dor súbita e perda momentânea da mobilidade. Processos inflamatórios persistentes, instabilidade ligamentar e alterações biomecânicas também podem contribuir para a sensação de joelho travando, especialmente quando não há um bom controle muscular ou alinhamento adequado da articulação. Joelho travando ao andar é sempre sinal de gravidade? Nem todo episódio isolado de joelho travando indica uma condição grave ou necessidade imediata de cirurgia. Em alguns casos, o sintoma pode estar relacionado a sobrecarga pontual, fadiga muscular ou inflamação transitória, melhorando com repouso e cuidados adequados. No entanto, a recorrência do travamento é um sinal importante de alerta. Quando o joelho passa a travar com frequência, interfere na marcha ou gera insegurança ao caminhar, é provável que exista um problema estrutural que não deve ser ignorado. A persistência do sintoma pode levar à piora progressiva da dor, aumento da limitação funcional e sobrecarga de outras articulações. Inchaço persistente, dificuldade para estender completamente o joelho, sensação de instabilidade ou episódios de dor associados ao travamento reforçam a necessidade de avaliação especializada. Quando é necessário fazer exames A decisão de solicitar exames de imagem deve sempre partir de uma avaliação clínica criteriosa. O ortopedista especialista em joelho analisa o padrão do travamento, a presença de dor, o histórico de traumas, o impacto funcional e os achados do exame físico. Quando há suspeita de lesão meniscal ou outras alterações estruturais, a ressonância magnética costuma ser o exame mais indicado, pois permite visualizar com detalhes os meniscos, a cartilagem e os ligamentos. Esses achados ajudam a confirmar o diagnóstico e a definir a melhor estratégia de tratamento. É importante reforçar que exames isolados não substituem a avaliação clínica. O resultado precisa ser interpretado em conjunto com os sintomas do paciente para evitar diagnósticos equivocados ou tratamentos desnecessários. Leia também: Lesões de menisco em jogadores de futebol Avaliação especializada faz diferença no tratamento Cada caso de joelho travando deve ser analisado de forma individual. O que pode ser tratado de maneira conservadora em um paciente pode exigir abordagem diferente em outro, dependendo da causa, da intensidade dos sintomas e do impacto na rotina. Em São Paulo (SP), onde a combinação entre sedentarismo, prática esportiva intensa e rotina urbana é comum, queixas relacionadas a travamento do joelho aparecem com frequência no consultório. A avaliação precoce com um ortopedista especialista em joelho permite identificar a origem do problema, evitar a progressão do quadro e indicar o tratamento mais adequado para preservar a função articular. Se você percebe que seu joelho está travando ao andar, sente bloqueios frequentes ou já apresenta limitação para atividades do dia a dia, buscar uma avaliação especializada é fundamental para entender a causa do sintoma e definir o melhor caminho terapêutico.

Joelho varo – Quando é realmente indicada a correção cirúrgica?

joelho varo

Quando alguém descobre que tem joelho varo, a primeira reação costuma ser de dúvida. Afinal, será que esse desalinhamento sempre precisa ser corrigido? No dia a dia, é comum que a pessoa perceba que as pernas parecem mais “abertas”, formando um desenho semelhante a um “O”. Ao mesmo tempo, muitos convivem com esse formato desde a infância e não apresentam qualquer sintoma. Em outras palavras, o simples fato de ter joelho varo não significa automaticamente que existe um problema — mas isso não quer dizer que ele deve ser ignorado. Por outro lado, existem situações em que o varo altera a distribuição de carga na articulação, acelera o desgaste da cartilagem e aumenta o risco de dor e limitação funcional. Justamente por isso, entender quando essa alteração exige tratamento cirúrgico é fundamental para evitar decisões precipitadas ou tardias. A boa notícia é que, na maioria dos casos, o joelho varo pode ser monitorado e tratado sem cirurgia, desde que haja acompanhamento adequado. O que é o joelho varo e por que ele merece atenção O joelho varo acontece quando existe um desvio do eixo mecânico, fazendo com que o centro de carga passe mais pela porção medial (interna) da articulação. Ou seja, a parte interna do joelho trabalha mais do que deveria, enquanto a face externa fica menos solicitada. Esse desequilíbrio, com o passar do tempo, pode gerar sobrecarga e desgaste da cartilagem medial. Nesse sentido, é importante destacar que o varo pode ser constitucional, ou seja, parte da anatomia natural da pessoa. Geralmente, esses casos não causam dor e não exigem grandes intervenções. Porém, quando o varo é acentuado, surge com o tempo ou está associado a dor e limitação, o cenário muda completamente. Isso porque o desalinhamento afeta todo o funcionamento da articulação, interferindo na marcha, na força muscular e na absorção de impacto. Por outro lado, o joelho varo também pode aparecer em consequência de doenças articulares, como a osteoartrite. Nesses casos, o desgaste da cartilagem medial faz com que o joelho “entorte” ainda mais, criando um ciclo de progressão. O que começa com uma alteração leve pode evoluir para dor constante, rigidez, estalos e perda de mobilidade. Por isso, compreender a causa do varo, o grau de desalinhamento e a presença de sintomas é essencial. Nem todo varo é igual — e é justamente essa individualização que determina se o caso é cirúrgico ou não. Quando o joelho varo começa a criar problemas reais Em grande parte dos casos, o joelho varo só passa a preocupar quando surgem sintomas persistentes. A dor na região interna do joelho é a queixa mais comum, especialmente durante atividades que aumentam a carga na articulação, como caminhar longas distâncias, subir e descer rampas ou permanecer longos períodos em pé. No dia a dia, isso pode tornar tarefas simples mais desconfortáveis, prejudicando a qualidade de vida. Além disso, o varo muda a dinâmica da marcha. O corpo passa a fazer compensações para reduzir o incômodo, e essas adaptações podem sobrecarregar quadril, tornozelo e até a lombar. Ou seja, o problema que começa no joelho frequentemente se espalha para outras regiões — e muitas pessoas só percebem quando a dor já está instalada em mais de um lugar. Outro sinal importante é a instabilidade. Quando o desalinhamento cria sobrecarga constante, a musculatura estabilizadora começa a perder eficiência, e pequenas falhas de apoio tornam-se mais frequentes. Em alguns casos, o paciente relata que o joelho parece “falhar” em determinados movimentos, especialmente quando muda de direção ou aumenta a intensidade das atividades físicas. A evolução da artrose é outro ponto de atenção. Vários estudos mostram que o joelho varo acentuado acelera o desgaste da cartilagem medial. Uma pesquisa publicada no Journal of Bone and Joint Surgery demonstra que indivíduos com varo têm risco significativamente maior de progressão da osteoartrite medial. Leia também: Quando a Osteotomia é Indicada para Corrigir Joelho Varo Como o ortopedista avalia a necessidade de cirurgia A decisão pela cirurgia nunca se baseia apenas na aparência das pernas. Na prática, o ortopedista avalia uma combinação de fatores: sintomas, função, grau de desalinhamento, qualidade da cartilagem e impacto do varo na vida cotidiana. Ou seja, não é o varo isolado que determina a necessidade de correção — e sim o conjunto do quadro clínico. O exame físico é o primeiro passo. Ele permite visualizar padrões de movimento, identificar instabilidades, medir o eixo de carga e avaliar a força muscular. Em seguida, exames de imagem, especialmente a radiografia panorâmica em ortostase, mostram com precisão o alinhamento do membro inferior. Esse exame é fundamental, porque revela quanto do peso corporal está sendo absorvido pela parte interna da articulação. Por outro lado, quando há suspeita de lesões associadas, como desgaste de cartilagem, lesão meniscal ou alterações ligamentares, a ressonância magnética pode complementar o diagnóstico. Da mesma forma, a avaliação funcional é essencial: entender como o varo interfere no dia a dia ajuda a definir qual caminho gera melhores resultados a longo prazo. Em resumo, a decisão pela cirurgia é sempre individualizada. Cada paciente apresenta um “padrão” próprio de varo — e é esse padrão, junto dos sintomas, que guia o tratamento. Quando a correção cirúrgica é realmente indicada A correção cirúrgica do joelho varo, chamada osteotomia, não é indicada para todos os casos. Pelo contrário, a maioria das pessoas com varo leve ou assintomático não precisa operar. A cirurgia é recomendada quando existem sinais claros de que o desalinhamento está prejudicando a função e acelerando o desgaste da articulação. Geralmente, os principais critérios incluem: • Dor persistente na região medial, que não melhora com fisioterapia, fortalecimento, ajustes na pisada ou redução de impacto. Entre os outros fatores que também indicam necessidade de cirurgia, estão: Nesse sentido, a osteotomia consegue redistribuir melhor a carga, diminuindo o estresse na parte interna do joelho e retardando a progressão da artrose. Como resultado, muitos pacientes conseguem manter suas próprias articulações por mais tempo, evitando uma prótese total antes da hora. Por outro lado, a cirurgia não é indicada … Ler mais

Lesões de menisco: quando operar ou tratar conservadoramente

lesões de menisco

As lesões de menisco estão entre as causas mais comuns de dor e limitação do joelho, afetando tanto atletas quanto pessoas sedentárias. Esses pequenos discos de cartilagem em formato de “C” têm um papel essencial na absorção de impacto, na estabilidade e na lubrificação da articulação. Quando rompidos, o equilíbrio biomecânico do joelho é comprometido e sintomas como dor, estalos e bloqueio passam a fazer parte da rotina do paciente. Apesar de serem frequentes, nem toda lesão meniscal exige intervenção cirúrgica. Nos últimos anos, a abordagem terapêutica se tornou mais conservadora, priorizando a preservação do tecido e o fortalecimento muscular antes de recorrer à artroscopia. É importante saber quando operar e quando tratar sem cirurgia, por meio de uma avaliação detalhada que leva em consideração o tipo da lesão, a localização, a idade e o perfil do paciente. Função e importância do menisco no joelho Como dissemos, o menisco é uma estrutura fibrocartilaginosa localizada entre o fêmur e a tíbia, responsável pela distribuição adequada da carga sobre a articulação, além de estabilizar o joelho e reduzir o atrito entre os ossos. Cada joelho possui dois meniscos: menisco medial, mais fixo e frequentemente lesionado, e menisco lateral, mais móvel e resistente. As causas das lesões meniscais variam conforme o perfil do paciente. No caso de jovens e atletas, é comum acontecer por torção súbita no joelho, como em mudanças bruscas de direção no futebol ou no basquete. Já nos adultos acima de 40 anos, o problema é frequentemente degenerativo, resultando do envelhecimento natural e do enfraquecimento dos tecidos. Por desempenhar um papel tão importante na estabilidade e na lubrificação da articulação, proteger e preservar o menisco é sempre o objetivo principal do tratamento. Cada vez mais, ortopedistas priorizam técnicas que conservam ou reparam a estrutura, em vez de apenas removê-la parcialmente, como se fazia antigamente. Quando o tratamento conservador é indicado Nem toda lesão de menisco precisa ser operada e, em muitos casos, o tratamento conservador oferece resultados tão bons quanto a cirurgia. O foco dessa abordagem é controlar a dor, restaurar a força muscular e recuperar o movimento articular, por meio de fisioterapia e mudanças no estilo de vida. O tratamento conservador é indicado principalmente em lesões pequenas, estáveis e não bloqueantes, especialmente nas porções periféricas do menisco, que têm melhor irrigação sanguínea e maior potencial de cicatrização. Pacientes com lesões degenerativas, decorrentes do envelhecimento e do desgaste, também costumam responder bem às terapias conservadoras. A fisioterapia desempenha papel indispensável nesse processo. O fortalecimento do quadríceps, glúteos e músculos estabilizadores reduz a sobrecarga sobre o joelho e melhora a absorção do impacto. O treino proprioceptivo, voltado ao equilíbrio e à coordenação, também ajuda na prevenção de novas torções. O uso de anti-inflamatórios e infiltrações com ácido hialurônico e plaquetas pode ser indicado para aliviar a dor e reduzir o processo inflamatório, permitindo que o paciente consiga se manter ativo enquanto o tecido se recupera. Leia também: Lesões de menisco em jogadores de futebol Quando a cirurgia é necessária A cirurgia se torna necessária quando a lesão provoca bloqueio articular, sensação de travamento, dor persistente ou instabilidade que não melhora com o tratamento conservador. Lesões maiores, complexas ou localizadas na região central do menisco dificilmente cicatrizam sozinhas e tendem a requerer intervenção cirúrgica. Nesses casos, o procedimento mais utilizado é a artroscopia do joelho, uma técnica minimamente invasiva realizada por meio de pequenas incisões. Com a ajuda de uma microcâmera, o cirurgião consegue visualizar a articulação e decide entre costurar o menisco ou ressecar parcialmente a área lesada. Sempre que possível, a sutura é escolhida, pois preserva a função biomecânica e reduz o risco de artrose futura. A recuperação após a artroscopia é geralmente rápida, com retorno gradual às atividades em algumas semanas. O protocolo de reabilitação inclui fisioterapia para restaurar a amplitude de movimento, fortalecimento muscular e treino de estabilidade. Recuperação e reabilitação após a lesão Independentemente do tipo de tratamento, a reabilitação é um fator determinante para o sucesso a longo prazo. O foco deve estar em restaurar a mobilidade, a força muscular e a estabilidade do joelho, reduzindo o risco de recidivas e degeneração. Nas primeiras semanas, a prioridade do tratamento é controlar a dor e o inchaço, com o uso de gelo, compressão e elevação. Exercícios passivos e isométricos ajudam a manter o tônus muscular sem sobrecarregar a articulação. Conforme a dor diminui, pode-se iniciar um trabalho ativo, com fortalecimento progressivo dos músculos da coxa e do quadril. A partir da sexta semana de recuperação, exercícios de equilíbrio e propriocepção passam a fazer parte do programa, melhorando o controle motor e a confiança no apoio. Pacientes que passaram por sutura meniscal precisam respeitar restrições maiores de carga nas fases iniciais, para que o tecido cicatrize completamente. O retorno ao esporte ou às atividades intensas deve ser gradual e autorizado pelo ortopedista. O tempo médio varia de dois a seis meses, dependendo do tratamento e do tipo de lesão. Atualmente, as técnicas de reparo meniscal evoluíram significativamente. O uso de suturas com dispositivos modernos e de terapias biológicas associadas, como plasma rico em plaquetas, tem aumentado as taxas de cicatrização e melhorado os resultados a longo prazo. Em todo caso, o tratamento de lesões de menisco deve ser personalizado e baseado em evidências científicas. A prioridade deve ser sempre a preservação da estrutura e o retorno funcional seguro, respeitando o equilíbrio entre a intervenção cirúrgica e a recuperação do tecido. Está com dor ou suspeita de lesão no joelho? Agende uma avaliação para garantir uma análise detalhada e o início do seu tratamento o quanto antes.

Correção do joelho torto em adultos – Até que idade é viável buscar tratamento

Joelho torto

Quando um adulto percebe que tem o joelho “torto”, a dúvida mais comum é se ainda vale a pena buscar tratamento. No dia a dia, isso aparece quando a dor surge após caminhadas mais longas, quando as pernas parecem mais arqueadas com o passar dos anos ou quando atividades simples começam a exigir mais esforço. Ao mesmo tempo, muitas pessoas acreditam que o alinhamento só pode ser corrigido na infância, e que, depois de certa idade, “não adianta mais mexer”. Por outro lado, a resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. A correção do eixo do membro inferior em adultos depende de vários fatores: causa do desalinhamento, intensidade dos sintomas, grau de deformidade, expectativas do paciente e, claro, a saúde óssea. Justamente por isso, entender até que idade a correção é viável exige olhar para o problema de forma ampla, indo além da idade cronológica e considerando a condição biomecânica como um todo. O que realmente significa corrigir o joelho torto em adultos A correção do joelho torto — seja varo (formato de “O”) ou valgo (formato de “X”) — é mais do que uma questão estética. Na prática, o desalinhamento altera a forma como a carga é distribuída na articulação e, ao longo dos anos, isso pode acelerar processos degenerativos, como desgaste da cartilagem e dor crônica. Por isso, o objetivo da correção não é apenas “endireitar a perna”, mas devolver equilíbrio biomecânico ao membro inferior. Nesse sentido, o tratamento pode ter abordagens muito diferentes entre si. Para alguns pacientes, exercícios específicos de fortalecimento, ajustes na pisada e reeducação de movimento são suficientes para estabilizar o alinhamento funcional e reduzir os sintomas. Para outros, especialmente aqueles com deformidades estruturais ou desgaste articular avançado, a intervenção cirúrgica é o caminho mais eficaz. Além disso, é importante entender que o alinhamento do membro inferior não se resume ao joelho. O quadril, a tíbia, o tornozelo e até o formato do pé influenciam diretamente o eixo mecânico. Ou seja, a correção exige uma avaliação completa e direcionada, já que cada segmento pode contribuir para o desalinhamento. Idade cronológica X idade articular: a diferença que muda tudo Uma das maiores confusões quando falamos em correção do joelho torto diz respeito à idade. Muitas pessoas acreditam que, depois dos 40 ou 50 anos, não há mais o que fazer. No entanto, isso não é verdade. O que realmente importa é a chamada idade articular, que corresponde ao estado da cartilagem, da densidade óssea e do nível de desgaste associado ao desalinhamento. Por isso, uma pessoa de 55 anos com boa saúde articular, ausência de artrose avançada e boa qualidade óssea pode ter mais indicação de correção do que alguém de 35 anos com desgaste moderado e instabilidade significativa. Em outras palavras, a viabilidade do tratamento é determinada pelo joelho — não pelo calendário. Além disso, o tipo de tratamento faz diferença. Pacientes com desalinhamento leve e sem desgaste podem se beneficiar apenas de fisioterapia especializada, independentemente da idade. Já pacientes com deformidade óssea acentuada podem precisar de osteotomia — procedimento cirúrgico que realinha o eixo mecânico. Esse tipo de cirurgia costuma ser indicado para pessoas até cerca de 60–65 anos, desde que o osso esteja saudável. Por outro lado, quando a artrose já está mais avançada, a correção estrutural deixa de fazer sentido. Nesses casos, o tratamento mais eficaz passa a ser a artroplastia do joelho, que substitui a articulação desgastada por uma prótese. Ou seja, sempre existe tratamento — o que muda é o tipo de intervenção mais apropriada para cada fase da vida. Até que idade a cirurgia corretiva (osteotomia) costuma ser indicada? A osteotomia é um dos procedimentos mais conhecidos para corrigir o joelho varo ou valgo em adultos. Ela funciona remodelando o osso de forma controlada para redistribuir o peso da articulação. Quando bem indicada, alivia a dor, melhora a função e retarda — ou até evita — a necessidade de prótese. Mas até que idade ela é viável? A resposta, como sempre, depende da saúde do osso e do nível de desgaste. Em geral, a osteotomia é mais indicada para adultos jovens e de meia-idade, mas isso não significa que exista uma idade limite rígida. Na prática clínica, muitos pacientes entre 50 e 60 anos realizam o procedimento com excelentes resultados, desde que: Por outro lado, quando o desgaste é significativo, operar apenas para corrigir o eixo deixa de trazer benefícios. Nesse caso, a prótese passa a ser uma alternativa mais apropriada — especialmente porque trata simultaneamente o desalinhamento e a artrose. Uma metanálise publicada no American Journal of Sports Medicine, por exemplo, reforça que a osteotomia apresenta bons resultados em pessoas até a sexta década de vida, desde que o joelho ainda tenha cartilagem suficiente para justificar a preservação da articulação. Ou seja, não é a idade que limita a cirurgia — é a condição do joelho. E esse ponto muda completamente a forma como o paciente enxerga o problema: não existe uma “janela” fixa para correção, e sim uma faixa de viabilidade que precisa ser analisada caso a caso. Quando o tratamento conservador é suficiente — independentemente da idade Muitas vezes, o desalinhamento não é estrutural, mas funcional. Isso significa que o joelho se posiciona de forma inadequada durante o movimento, mas a estrutura óssea está correta. Nesses casos, o tratamento conservador costuma ser bastante eficaz, e isso vale tanto para adultos jovens quanto para pessoas mais velhas. O fortalecimento do quadril e da musculatura estabilizadora do joelho é um dos pilares principais. Quando o quadril não controla bem o movimento, o joelho tende a desviar para dentro ou para fora, aumentando a sobrecarga. Por isso, exercícios direcionados conseguem “corrigir” esse alinhamento dinâmico e diminuir a dor. Além disso, ajustes na pisada, melhora da mobilidade do tornozelo, reeducação de marcha e treinamento de controle motor também fazem parte do processo. Mesmo adultos acima dos 60 anos respondem muito bem a esse tipo de intervenção quando o desalinhamento não é estrutural. Por outro lado, … Ler mais

Meu joelho é torto, e agora?

joelho torto

Quando alguém percebe que “tem o joelho torto”, geralmente surge uma mistura de dúvida e preocupação. No dia a dia, essa sensação pode vir de um incômodo ao caminhar, de um desgaste que parece surgir mais rápido do que o normal ou até de comentários feitos por outras pessoas ao observar a postura das pernas. Ainda que pareça algo simples, o alinhamento dos membros inferiores tem impacto direto na distribuição de carga, na forma como o corpo se movimenta e na saúde das articulações a longo prazo. Ao mesmo tempo, muitas pessoas convivem com essa característica sem saber exatamente o que ela significa. Afinal, ter o joelho “pra dentro” ou “pra fora” é sempre um problema? Ou será que faz parte das variações naturais do corpo humano? Em outras palavras, antes de qualquer preocupação, é importante entender o que está por trás desse alinhamento, por que ele acontece e em quais situações é necessário intervir. O que realmente significa ter o joelho “torto”? Quando falamos de joelho “torto”, estamos nos referindo às alterações de eixo dos membros inferiores. Ou seja, quando o alinhamento natural entre quadril, joelho e tornozelo sofre alguma modificação, levando a uma distribuição diferente das cargas. Em termos clínicos, existem dois padrões principais: o varo e o valgo. No primeiro, os joelhos ficam mais afastados, com a perna lembrando um formato de “O”. No segundo, os joelhos aproximam-se demais, formando algo parecido com um “X”. Nesse sentido, é essencial entender que nem sempre essas variações representam um problema. Muitas vezes, elas fazem parte da anatomia individual e não provocam sintomas relevantes. Por outro lado, quando o grau de desalinhamento é maior ou quando surgem dores, estalos, limitações de movimento ou desgaste precoce, vale investigar com mais atenção. Afinal, o alinhamento ideal não é apenas uma questão estética, mas um fator determinante para a saúde articular ao longo dos anos. Além disso, é comum que algumas pessoas convivam com esse desalinhamento desde a infância, enquanto outras desenvolvem alterações ao longo da vida. Traumas, sobrepeso, fraqueza muscular, alterações na pisada e doenças articulares podem contribuir para essa mudança, por isso o entendimento do histórico de cada pessoa faz toda diferença. Justamente por isso, o diagnóstico não deve se basear apenas na aparência das pernas, mas em uma avaliação completa do membro inferior. Por fim, quando o paciente entende que o joelho “torto” não é uma sentença, mas um sinal a ser interpretado, a percepção muda completamente. Ou seja, mais importante do que rotular o alinhamento, é compreender como ele afeta a mecânica do corpo e, a partir disso, decidir o melhor caminho de cuidado. As principais causas que levam ao desalinhamento do joelho O desalinhamento do joelho pode surgir por diferentes motivos, e o mais interessante é que, muitas vezes, eles se combinam. Em grande parte dos casos, há influência genética, ou seja, a pessoa já nasce com uma tendência maior ao valgo ou ao varo. Isso explica por que vemos famílias inteiras com o mesmo formato de alinhamento. Ao mesmo tempo, fatores adquiridos ao longo da vida podem intensificar esse padrão e torná-lo mais perceptível. Entre esses fatores, o enfraquecimento muscular é um dos mais comuns. Os músculos do quadril e da coxa atuam como estabilizadores importantes, e quando estão fracos, o joelho tende a colapsar para dentro durante atividades como caminhar, subir escadas ou correr. Na prática, isso significa que a musculatura funciona como engrenagens: se uma delas não cumpre sua função, as outras acabam sobrecarregadas, e o alinhamento é um reflexo disso. Por outro lado, problemas nos pés também influenciam diretamente o eixo do joelho. A pisada pronada, por exemplo, faz com que o pé “caia” para dentro e arraste junto toda a cadeia de movimento, levando ao valgo. Já a pisada supinada pode favorecer o varo. Nesse sentido, avaliar apenas o joelho sem considerar tornozelos e quadris é um erro comum. O corpo funciona como um sistema integrado, e cada peça interfere na outra. Como resultado, condições como osteoartrite, lesões de ligamento, alterações no crescimento ósseo e até traumas esportivos podem gerar ou agravar o desalinhamento. A literatura médica reforça essa relação: um estudo publicado no Journal of Orthopaedic Research demonstra que o valgo exagerado aumenta o estresse na cartilagem medial, acelerando o desgaste e favorecendo dor anterior no joelho. Quando o joelho torto começa a causar problemas? Como já comentamos, ter o joelho torto não significa automaticamente que haverá dor. No entanto, algumas situações merecem atenção porque indicam que o desalinhamento está ultrapassando o limite saudável. A dor durante atividade física, por exemplo, é um dos primeiros sinais de alerta. Ela costuma aparecer na parte interna ou externa do joelho, dependendo se estamos falando de valgo ou varo. Além disso, a sensação de instabilidade, como se o joelho “fosse sair do lugar”, é outro indicativo importante. Isso acontece porque o desalinhamento altera o funcionamento dos ligamentos e da musculatura estabilizadora, fazendo com que o movimento se torne menos eficiente. Por isso, pessoas com desalinhamento acentuado tendem a ter maior risco de lesões, especialmente durante esportes de impacto ou mudanças bruscas de direção. Outro ponto é o desgaste precoce das articulações. Na prática, quando a carga não está distribuída de forma adequada, uma região do joelho trabalha muito mais do que a outra, e isso acelera o processo degenerativo. É por isso que alguns pacientes desenvolvem artrose mais cedo do que seria esperado para a idade. A limitação de movimento também pode surgir com o tempo, principalmente em casos em que há compensações musculares prolongadas. Vale destacar, também, que crianças e adolescentes apresentam padrões fisiológicos de alinhamento que mudam ao longo do desenvolvimento. O valgo é comum até cerca de 7 anos, e o varo aparece com frequência nos primeiros anos de vida. Portanto, nem todo desalinhamento infantil é preocupante. O acompanhamento com um especialista é essencial para diferenciar variações normais de quadros que exigem intervenção. Leia também: Condromalácia patelar em jovens: por que o problema afeta também adolescentes e atletas Como é feito … Ler mais

Artrose de joelho em mulheres – Por que elas têm maior risco e como prevenir

artrose de joelho

A artrose de joelho é uma das condições articulares mais comuns no mundo, mas, quando observamos quem realmente sofre com ela, um dado chama atenção: as mulheres são significativamente mais afetadas do que os homens. No dia a dia, isso aparece quando dores constantes começam a limitar atividades simples, como descer escadas, agachar ou caminhar por longos períodos.. Entender por que elas têm maior risco — e, principalmente, o que pode ser feito para prevenir a progressão — faz toda diferença no cuidado a longo prazo. Afinal, a artrose não é apenas uma doença do envelhecimento. Ela envolve fatores hormonais, biomecânicos, metabólicos e comportamentais que interagem entre si. Quanto mais cedo esses elementos são reconhecidos, maior a chance de manter a articulação saudável por mais tempo. Por que a artrose afeta mais mulheres? Compreendendo as causas reais A diferença entre homens e mulheres na incidência da artrose não é mero acaso. Um dos fatores mais importantes está relacionado às variações hormonais. O estrogênio, por exemplo, desempenha papel fundamental na saúde da cartilagem. Durante a vida fértil, ele ajuda na lubrificação articular e na redução da degradação da cartilagem. Entretanto, no período pós-menopausa, ocorre uma queda abrupta desse hormônio, alterando diretamente o metabolismo da articulação. Como resultado, o desgaste tende a se acelerar. Além disso, as características anatômicas também influenciam. Geralmente, as mulheres possuem quadris mais largos, o que altera o ângulo do fêmur e modifica a forma como a carga é distribuída nos joelhos. Esse alinhamento, somado a diferenças no controle muscular do quadril e do joelho, gera maior predisposição ao valgo dinâmico — movimento em que o joelho “entra” durante atividades como agachamento, corrida ou descida de escadas. Justamente por isso, muitas mulheres acabam sobrecarregando mais a região interna e a patela, favorecendo o desgaste. Por outro lado, fatores como sobrepeso, hipermobilidade ligamentar e características da pisada podem atuar como gatilhos adicionais. Em grande parte das vezes, esses elementos se somam: uma mulher que entrou na menopausa, ganhou peso, reduziu o nível de atividade física e apresenta desalinhamento nos joelhos acaba criando um cenário favorável para o desenvolvimento da artrose. A ciência reforça esse padrão. Um estudo publicado no Osteoarthritis and Cartilage identificou que mulheres pós-menopausa têm até duas vezes mais risco de desenvolver artrose sintomática no joelho devido à redução dos níveis de estrogênio. Ou seja, há um componente biológico claro, mas que conversa diretamente com fatores do cotidiano. Como a rotina feminina favorece o desgaste articular Quando falamos da vida real, o risco aumentado de artrose nas mulheres também está ligado às rotinas modernas. Muitas acumulam múltiplas funções — trabalho, casa, família, cuidados pessoais — e, nesse cenário, o autocuidado costuma ficar em segundo plano. No dia a dia, isso significa longos períodos em pé, esforços repetitivos, sobrecarga física e pouco tempo para descanso e fortalecimento muscular. Outro ponto importante é que as mulheres, de forma geral, procuram ajuda médica mais tardiamente para dores articulares. Muitas acreditam que “vai passar”, que “é só dor muscular” ou que “é normal depois dos 40”. Por isso, quando chegam ao consultório, a cartilagem já pode estar mais desgastada. Além disso, a escolha de calçados, especialmente os modelos de salto alto ou com pouca estabilidade, altera a mecânica da marcha e aumenta o estresse na articulação do joelho. Nesse sentido, o sedentarismo também tem grande impacto. Embora a dor leve à redução da atividade física, a falta de movimento piora o quadro porque diminui a nutrição da cartilagem e enfraquece grupos musculares que deveriam proteger a articulação. É um ciclo comum: quanto mais dói, menos se mexe; quanto menos se mexe, mais dói. Por fim, há um componente cultural importante. Em muitas fases da vida, especialmente na menopausa, mudanças corporais podem gerar insegurança na prática de atividades físicas. Algumas mulheres reduzem a intensidade ou abandonam exercícios que seriam fundamentais para proteger o joelho. Como resultado, a progressão da artrose acaba acelerada. Como identificar os primeiros sinais e evitar um diagnóstico tardio A artrose costuma se instalar de forma silenciosa, mas envia sinais claros quando está começando. A dor ao descer escadas é um dos primeiros sintomas, porque essa ação aumenta a pressão na articulação. Além disso, rigidez matinal que dura alguns minutos, sensação de peso nas pernas no final do dia e pequenos estalos também são indicadores relevantes. Justamente por isso, ignorar esses sinais pode atrasar o diagnóstico e permitir que o desgaste avance. Outro ponto que merece atenção é a limitação funcional. Muitas mulheres relatam que parar de agachar, evitar subir bancos ou ter receio de ajoelhar virou uma rotina. Em outras palavras, a articulação começa a ditar o comportamento, e não o contrário. Essa limitação, quando aparece, já indica que o joelho está sofrendo impacto estrutural. Por outro lado, é importante diferenciar desconfortos ocasionais dos sintomas da artrose. A dor constante, especialmente quando localizada na face interna do joelho, costuma ser característica do desgaste. A inflamação também pode gerar inchaço leve e aumento da temperatura local. Quando esses sinais aparecem com frequência, a avaliação com um especialista é essencial, porque permite detectar alterações ainda em estágios iniciais. Além dos sintomas, a história clínica também importa. Mulheres que já tiveram lesões ligamentares, problemas de cartilagem, desalinhamento dos membros inferiores ou histórico familiar de artrose precisam de um acompanhamento mais próximo. A prevenção, nesses casos, faz ainda mais diferença. Como prevenir a artrose de joelho em mulheres — o que realmente funciona Embora o risco seja maior, a artrose de joelho não é inevitável. Existem estratégias eficazes para reduzir o desgaste e proteger a articulação a longo prazo. O fortalecimento muscular específico é uma das mais importantes. Os músculos do quadril, glúteos e coxa estabilizam o joelho e evitam movimentos compensatórios que sobrecarregam a cartilagem. Por isso, treinos bem orientados tornam o movimento mais eficiente e diminuem o impacto difícil de controlar no dia a dia. Além disso, atividades de baixo impacto, como caminhada, bicicleta e musculação, ajudam a manter a articulação nutrida. A cartilagem depende do movimento para receber … Ler mais