Correção do joelho torto em adultos – Até que idade é viável buscar tratamento

Quando um adulto percebe que tem o joelho “torto”, a dúvida mais comum é se ainda vale a pena buscar tratamento. No dia a dia, isso aparece quando a dor surge após caminhadas mais longas, quando as pernas parecem mais arqueadas com o passar dos anos ou quando atividades simples começam a exigir mais esforço. Ao mesmo tempo, muitas pessoas acreditam que o alinhamento só pode ser corrigido na infância, e que, depois de certa idade, “não adianta mais mexer”.

Por outro lado, a resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. A correção do eixo do membro inferior em adultos depende de vários fatores: causa do desalinhamento, intensidade dos sintomas, grau de deformidade, expectativas do paciente e, claro, a saúde óssea. Justamente por isso, entender até que idade a correção é viável exige olhar para o problema de forma ampla, indo além da idade cronológica e considerando a condição biomecânica como um todo.

O que realmente significa corrigir o joelho torto em adultos

A correção do joelho torto — seja varo (formato de “O”) ou valgo (formato de “X”) — é mais do que uma questão estética. Na prática, o desalinhamento altera a forma como a carga é distribuída na articulação e, ao longo dos anos, isso pode acelerar processos degenerativos, como desgaste da cartilagem e dor crônica. Por isso, o objetivo da correção não é apenas “endireitar a perna”, mas devolver equilíbrio biomecânico ao membro inferior.

Nesse sentido, o tratamento pode ter abordagens muito diferentes entre si. Para alguns pacientes, exercícios específicos de fortalecimento, ajustes na pisada e reeducação de movimento são suficientes para estabilizar o alinhamento funcional e reduzir os sintomas. Para outros, especialmente aqueles com deformidades estruturais ou desgaste articular avançado, a intervenção cirúrgica é o caminho mais eficaz.

Além disso, é importante entender que o alinhamento do membro inferior não se resume ao joelho. O quadril, a tíbia, o tornozelo e até o formato do pé influenciam diretamente o eixo mecânico. Ou seja, a correção exige uma avaliação completa e direcionada, já que cada segmento pode contribuir para o desalinhamento.

Idade cronológica X idade articular: a diferença que muda tudo

Uma das maiores confusões quando falamos em correção do joelho torto diz respeito à idade. Muitas pessoas acreditam que, depois dos 40 ou 50 anos, não há mais o que fazer. No entanto, isso não é verdade. O que realmente importa é a chamada idade articular, que corresponde ao estado da cartilagem, da densidade óssea e do nível de desgaste associado ao desalinhamento.

Por isso, uma pessoa de 55 anos com boa saúde articular, ausência de artrose avançada e boa qualidade óssea pode ter mais indicação de correção do que alguém de 35 anos com desgaste moderado e instabilidade significativa. Em outras palavras, a viabilidade do tratamento é determinada pelo joelho — não pelo calendário.

Além disso, o tipo de tratamento faz diferença. Pacientes com desalinhamento leve e sem desgaste podem se beneficiar apenas de fisioterapia especializada, independentemente da idade. Já pacientes com deformidade óssea acentuada podem precisar de osteotomia — procedimento cirúrgico que realinha o eixo mecânico. Esse tipo de cirurgia costuma ser indicado para pessoas até cerca de 60–65 anos, desde que o osso esteja saudável.

Por outro lado, quando a artrose já está mais avançada, a correção estrutural deixa de fazer sentido. Nesses casos, o tratamento mais eficaz passa a ser a artroplastia do joelho, que substitui a articulação desgastada por uma prótese. Ou seja, sempre existe tratamento — o que muda é o tipo de intervenção mais apropriada para cada fase da vida.

Até que idade a cirurgia corretiva (osteotomia) costuma ser indicada?

A osteotomia é um dos procedimentos mais conhecidos para corrigir o joelho varo ou valgo em adultos. Ela funciona remodelando o osso de forma controlada para redistribuir o peso da articulação. Quando bem indicada, alivia a dor, melhora a função e retarda — ou até evita — a necessidade de prótese. Mas até que idade ela é viável?

A resposta, como sempre, depende da saúde do osso e do nível de desgaste. Em geral, a osteotomia é mais indicada para adultos jovens e de meia-idade, mas isso não significa que exista uma idade limite rígida. Na prática clínica, muitos pacientes entre 50 e 60 anos realizam o procedimento com excelentes resultados, desde que:

  1. tenham boa densidade óssea,
  2. não apresentem artrose avançada,
  3. possibilitem correção adequada do eixo,
  4. tenham estilo de vida ativo e busquem preservar a articulação natural.

Por outro lado, quando o desgaste é significativo, operar apenas para corrigir o eixo deixa de trazer benefícios. Nesse caso, a prótese passa a ser uma alternativa mais apropriada — especialmente porque trata simultaneamente o desalinhamento e a artrose.

Uma metanálise publicada no American Journal of Sports Medicine, por exemplo, reforça que a osteotomia apresenta bons resultados em pessoas até a sexta década de vida, desde que o joelho ainda tenha cartilagem suficiente para justificar a preservação da articulação. Ou seja, não é a idade que limita a cirurgia — é a condição do joelho.

E esse ponto muda completamente a forma como o paciente enxerga o problema: não existe uma “janela” fixa para correção, e sim uma faixa de viabilidade que precisa ser analisada caso a caso.

Quando o tratamento conservador é suficiente — independentemente da idade

Muitas vezes, o desalinhamento não é estrutural, mas funcional. Isso significa que o joelho se posiciona de forma inadequada durante o movimento, mas a estrutura óssea está correta. Nesses casos, o tratamento conservador costuma ser bastante eficaz, e isso vale tanto para adultos jovens quanto para pessoas mais velhas.

O fortalecimento do quadril e da musculatura estabilizadora do joelho é um dos pilares principais. Quando o quadril não controla bem o movimento, o joelho tende a desviar para dentro ou para fora, aumentando a sobrecarga. Por isso, exercícios direcionados conseguem “corrigir” esse alinhamento dinâmico e diminuir a dor.

Além disso, ajustes na pisada, melhora da mobilidade do tornozelo, reeducação de marcha e treinamento de controle motor também fazem parte do processo. Mesmo adultos acima dos 60 anos respondem muito bem a esse tipo de intervenção quando o desalinhamento não é estrutural.

Por outro lado, quem apresenta sinais de desgaste leve a moderado também se beneficia de um trabalho de fortalecimento bem direcionado. Em grande parte dos casos, o objetivo não é “endireitar a perna”, mas melhorar a distribuição de carga para que o joelho funcione com menos dor.

Leia também: Quais os primeiros sinais de artrose no joelho e como diagnosticá-los precocemente?

Então, até que idade vale buscar tratamento? A resposta honesta

Vale buscar tratamento em qualquer idade. O que muda não é a possibilidade de cuidar do joelho, mas o tipo de intervenção mais adequada para cada fase da vida. Em adultos jovens, o foco costuma ser corrigir o desalinhamento, preservar a articulação e evitar desgaste futuro. Já em adultos maduros, a prioridade passa a ser aliviar a dor, melhorar a marcha e recuperar funcionalidade com segurança.

Por isso, não existe idade “tarde demais” para tratar o joelho torto. Existe, sim, o momento ideal para cada tipo de abordagem:

  • desalinhamento leve + sem artrose → fortalecimento e correção funcional
  • desalinhamento estrutural + cartilagem preservada → osteotomia, mesmo após os 50–60 anos
  • desalinhamento acentuado + artrose avançada → prótese do joelho, independentemente da idade

Em outras palavras, sempre há o que fazer — e ignorar a dor ou a deformidade só aumenta o risco de desgaste e limitações futuras. O alinhamento do joelho importa em qualquer fase da vida porque interfere na marcha, na distribuição de carga e no conforto durante atividades simples.

Se você percebe que seu joelho está torto, sente dor ao caminhar ou quer entender qual é o melhor momento para intervir, marque uma consulta.